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15 julho, 2010

Meio dedo de prosa com Lygia Bojunga


Novamente volto a falar da Lygia Bojunga. Dessa vez venho registrar a prosa que tive com ela durante a leitura do livro "Feito à Mão".
Acredito que a conversa com o livro já começa antes mesmo de ser aberto. Olhar aquela capa, tão retrato do artesanal, tão cheia de casinhas bordadas que lembram arraiolo, olho pro título e percebo que tem tudo a ver com as mãos.
Ao abrir o livro, já encontro o recadinho que a Lygia deixou para mim "Pra você que me lê", nesse recadinho ela conta cada detalhe de como foi feito o livro, partindo das ideias, do papel, da escrita, toda a sua relação com o processo de produção.
Me senti tão cúmplice dela, que no começo queria produzir tudo à mão mesmo e depois teve que recorrer à máquina para agilizar o processo. Imagina, antes de ler o livro, eu soube a história dele, me senti parte dele, me senti íntima de tudo, tão íntima que desatei a escrever pelo livro.
Quando terminei de ler o recadinho da Lygia, assim escrevi:
Depois de 12 encontros contigo, estou aqui nessa gostosa conversa com você por meio do livro "Feito à Mão", apesar da minha pouca experiência de vida, já senti vontade de "fazer" um livro. Acredita que fiz? Enquanto lia como foi seu processo de produção do "Feito à Mão", fui revendo como um filme o ano de 2009, quando reuni memórias dos meus alunos em um livro, um não: Dois! Como produzi poucos exemplares de cada, fiz um blog para cada um, para não ficarem presos ao papel. Foi uma experiência muito emocionante, naturalmente com muitos defeitos.                                                                                                                                                  Jaque Flores, 30 de abril de 2010

 Quando comecei a leitura do livro de fato, já estava envolvida até com os pelinhos do papel, que são pra mim as impressões digitais da Lygia, que vai contando um pouquinho de sua vida, sempre partindo de tarefas com as mãos, viajei com cada palavra, cada momento descrito ali. Há um trecho no livro, que a Lygia fala do seu Projeto As Mamenbadas, um trabalho com teatro, que a levou para muitos lugares, proporcionando encontro com muitos Alguéns. "É bom quando esse encontro ocorre com uma porção de Alguéns. Mas, se um encontro assim tão especial acontece com um Alguém-só, pra mim já é o bastante: prova que eu estou em sintonia com a vida." (Bojunga, Feito à Mão, página 130)
Foi só ler esse trecho pra ir logo me sentindo um alguém que encontrou com a Lygia e escrever:
Me senti esse alguém, Lygia! Não tive um encontro contigo no palco, mas em minha casa, na biblioteca, na sala de aula, no ônibus, na faculdade, no meu quarto... Um encontro emocionante, que a cada dia que passa ganha mais significado. Essa sintonia faz parte da realidade, mesmo sem ter aparecido na televisão.

Quando terminei o livro, o som do mar ficou novamente em meus ouvidos e novamente resolvi escrever:
E agora fico aqui, Lygia... com seu balbucio ao pé do meu ouvido. Querendo ouvir mais, querendo saber e descobrir mais de você...Puxa! Me senti tão, tão perto de ti... Foi como se estivéssemos batendo papo na pracinha mais próxima de casa. Deu vontade de te contar minhas conversas, não as que tenho com meus botões, mas as que vivo levando com meu amigo imaginário, o Teobaldo. Poxa Lygia, estou agora mesmo querendo saber mais de você, mas os "Retratos de Carolina" ficaram em casa, em cima da mesa, só sei que li o comecinho, queria tê-lo aqui agora,  no ônibus a caminho de casa, nessa de ouvir balbucio com o mar, nem me daria conta do celular ligado na poltrona atrás de mim, do cheiro de cachaça do viajante ao meu lado, ou do barulho do pacote de bolachas à minha frente.                                                         Jaque Flores, 02 de Maio de 2010
E fica sempre um gostinho de quero mais nas nossas conversas, com o Feito à Mão foi assim, li em doses pequenas de dois dias para não ficar tanta saudade...Deixei o "Retratos de Carolina" para ler no recesso, como já disse na postagem anterior...Duro vai ser esperar chegar os próximos...

Referência completa do livro citado:
Bojunga, Lygia, Feito à Mão / Lygia Bojunga; 3.ed. - Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2005.

14 julho, 2010

Conversas com Lygia Bojunga

Para quem me conhece sabe da minha recente paixão pela escritora Lygia Bojunga, e sabe mesmo! Já contei aqui como foi meu "encontro" com ela, de como desandei a ler seus livros e a contaminar as pessoas com histórias que a cada dia me fascinam.
Levei a sério a história de ler todos os livros da Lygia, tanto é que esgotados os exemplares da biblioteca da escola onde trabalho e da Biblioteca Olíria, parti para a Livraria Cultura e o comprei dois livros dos 9 que ainda faltavam para ler. Isso foi em Abril, na mesma semana li "Feito à Mão", e por conta da correria do trabalho e Faculdade, guardei "Retratos de Carolina" para ler no recesso.
Hoje peguei o livro para ler e já dei conta dele, devorei cada palavra, como quem busca desvendar um enigma. Imaginei cada retrato da Carolina, cada passo da sua trajetória, cada momento de conversa com teu pai. Curti muito andar pelas ruas de Londres hoje, acompanhando a viagem da Carolina ainda adolescente.
O livro me surpreendeu muito, quando achava que a história estava no fim, aparece a Lygia e desata num papo com a Carolina, dando novos rumos para a trama.

Isso me fascina, a cada livro que leio descubro mais dessa autora, dessa mulher tão cheia de vida e criatividade. Que consegue com a maior simplicidade tratar de temas tão fortes de maneira tão leve.
É claro que fiquei querendo mais. Estou indo com calma, porque agora faltam apenas 7 livros. Não quero ler todos de uma vez, para não ficar angustiada, quero ir aos pouquinhos, de dois em dois, tenho certeza que se tivesse os sete em minha mão, lê-los-ia em uma semana...

O mais gostoso disso tudo, é que a cada livro que leio, vou rabiscando minha conversa com ela. Sempre deixo um recadinho no começo e na última página, é a minha forma leitora de ser...É como se a Lygia lesse...Depois que ela respondeu meu e-mail lá em Janeiro, dei pra conversar com ela por meio dos livros.

12 julho, 2010

Eu Torcedora,

Antes de terminar a Copa, enquanto voltava para casa, me deparei com algumas bandeirinhas que traziam estampados os anos em que o Brasil levou o Título de Campeão. Vi-me parada durante um bom tempo fazendo as conta de quantos anos eu tinha em cada título e cheguei à conclusão de que não vi nada, só vi o Brasil ser campeão duas vezes: Em 1994, quando conquistou o Tetra nos EUA e em 2002 quando trouxemos o Penta da Coreia do Sul e Japão.
Essa é a sexta Copa que acontece depois nasci, não consigo lembrar nitidamente da Copa de 1990, ainda era uma criancinha de 3 anos, não sabia bem o que era torcer, o que era uma Copa do Mundo. A única lembrança que tenho dessa época é de uma boneca que eu trazia pendurada pelos cabelos o tempo todo.
Quando o Brasil conquistou o Tetra em 1994, lembro-me claramente de todos nas ruas estampadas com a figura do cão Striker gritando É Tetraaaa! Eu já tinha uma noção, caí no meio da gritaria, pulando e gritando em comemoração ao título.
Desde então, decidi que torceria apenas para a seleção, nunca tive um time do coração, como as pessoas costumam ter (São Paulo, Vasco, Flamengo, Corinthians), sempre torci para o que ganhava, para todos, com exceção de uma época (95) em que inventei de torcer pelo Vasco (para quem não sabe, sou capixaba), porque era o time do coração do menino que era a minha paixão. Quando a paixonite passou, deixei o Vasco pra lá.
Torci em 98, mas tive que ver a França levando a melhor. 
Em 2002, morando na Bahia, acordava de madrugada para ver os jogos, subia na laje da minha vó para regar a antena e acordar os vizinhos para assistirmos aos jogos. Como trabalho para a Escola fiz com minha amiga Charlene um Álbum da Copa que levou nota Dez! O meu eu torcedora acreditou que se penteasse os cabelos durante os jogos do Brasil, levaríamos a melhor...E assim foi: comemorei o Penta com a escova de cabelo nas mãos!
Em 2006 eu já não tinha tanto tempo para me dedicar exclusivamente aos jogos, estava cursando Letras em Atibaia e trabalhando em um Salão de Cabeleireiro como manicure. Saía praticamente na hora dos jogos para assistir em Diadema na companhia das tias...era bem cansativo...Mesmo assim, acreditava que a seleção conquistaria o Hexa! Lembro que fui ver o Brasil perder em Santos...
Esse ano (2010), vi mais uma vez o Brasil voltar para casa de mãos vazias... Em compensação conheci a vuvuzela (ver jogos com moscas fazendo zum zum zum), graças a Deus não vimos o Maradona pelado e assisti três jogos do Brasil com uma torcida diferente, a torcida do twitter!
Próxima Copa Promete, será aqui no Brasil. Será que em vez de vuvuzelas teremos berrantes nos estádios? Tomara que não. Já não sei mais nada quanto ao hexa, tomara que apareçam bons jogadores daqui até lá e um treinador que coloque os rapazes com vontade de defender nosso título e não deixar que vá embora nossa chance de vencer!
Uma coisa que queria: que o saci fosse nosso mascote! Já pensou? O saci todo de verde e amarelo, que coisa mais patriota? Mas...do jeito que o povo tá amando o Dunga, pode ser que escolham os sete anões!

Com Dunga ou com saci, estarei torcendo, já que sou uma torcedora a nível nacional, terei fôlego suficiente para gritar e pular em 2014.

02 julho, 2010

O silêncio da Nação

"Só uso a palavra para compor meus silêncios." (M. de Barros)

 Acordei hoje com sons de vuvuzelas e fogos, liguei a TV aos nove minutos do primeiro tempo na partida entre Brasil e Holanda nas quartas de final.
Um minuto e meio depois de ter ligado a TV, Robinho faz um gol e o som das cornetas e fogos se instalam na vizinhança...o barulho na TV aumenta ainda mais.
Assistia confiante, lavando a louça, tomando café e twittando.
Segundo tempo. O barulho foi embora no momento em que os laranjas da Holanda marcam dois gols. Para decepção da torcida brasileira, o primeiro gol contra (marcado por Felipe Melo).


Não chorei, mas fiquei triste, quieta e apenas observando os últimos movimentos nervosos da seleção. Os jogadores estavam nervosos, até expulsão teve. O segundo tempo voou, totalmente diferente do primeiro (que se arrastou...)
É Brasil. O sonho do Hexa em 2010 fica por aqui. Derrotados nessa etapa, os jogadores voltam para casa e o país volta ao normal.
Silêncio da nação, já senti esse vazio e decepção antes. Agora o clima é de torcida e esperança (curiosidade) para o próximo evento que será daqui a quatro anos (aqui no Brasil).
Reza a lenda que o Brasil não podia ganhar na África, porque vai ganhar aqui. É o que espero. Pior que perder na África para a laranja irritante, é perder em casa.


Não vou torcer para mais ninguém. Volto a ser a menina normal que não assiste futebol. Só vejo futebol a cada quatro anos que é pra evitar a fadiga. Vou guardar as energias para 2014.
É um jogo, todos querem a vitória. Alguém tinha que perder, mas a gente nunca quer que seja O BRASIL. 
Vou colocar a culpa na camisa azul. Alguém precisa levar a culpa.