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16 novembro, 2014

Manoel de Barros deslimitando nossa imaginação

Sei que Manoel de Barros, em seus 97 anos de idade e mais de 18 livros publicados, não queria significar, segundo ele, significar limita a imaginação.
Mas eu preciso contrariar o poeta, com todo respeito à sua memória, claro! Porque o menino do mato significa muita emoção pra mim!
Colírio que ajuda a desembaçar a visão, permitindo que eu veja as miudezas da vida, a mais absurda poesia que ninguém vê.
Essa semana fiquei despedaçada, muito introspectiva pensando em sua partida.
Logo esse ano que eu andava embriagada pela poesia Manoelística, suspirei com "Menino do Mato", "O livro das Ignorãnças" e quando fui à Bienal do Livro trouxe pra casa a Biblioteca Manoel de Barros, lançada pela editora Leya.
Estava encantando meus alunos com seus versos e imaginando que em 2016 iríamos comemorar o centenário do poeta mais menino do Brasil.

Quando soube do seu quadro clínico, fiquei pedindo a Deus que restaurasse sua saúde. Seu quadro já não era tão fácil e Manoel resolveu descansar com Bernardo, virando passarinho,
No dia 14 cheguei à escola, alguns alunos vieram perguntar se eu já sabia da notícia, me cumprimentaram com pesar, pois sabiam que eu era fã dele, assim como sou fã da Lygia Bojunga!

O homem simples que se declarava Poeta e vagabundo profissional, íntimo dos pássaros e das palavras se passarinhou e descansou. Segundo informações publicadas pelo Jornal Campo Grande, nos últimos meses Manoel já não escrevia, não reconhecia as pessoas e desejava descansar. Justo pra quem deu tanta vida à vida, viver em vão (sem poder ser poeta) seria um despropósito!

Não fui íntima de sua rotina, mas desde 2008 era íntima de seus versos, versos que me trouxeram mais brilho no olhar, mas intimidade com a palavra e doses fortíssimas de inspiração.


Minha homenagem ao poeta foi feita nos corredores da EMEF Armando Arruda. Agradeço a Deus por nos presentear com um poeta tão sensível, e por eu poder ler sua obra.


Com a notícia de sua partida, muitas pessoas compartilharam informações sobre ele, que eu desconhecia, como um documentário raríssimo, em que ele fala, sorri e timidamente se revela. Manoel não gostava de gravar entrevistas, tinha mania de lápis, tinha medo da palavra falada, e penso que nesse comportamento ele era completamente sensato.
Vale a pena assistir a esse documentário! Emocionante!


01 julho, 2013

A chuva na visão da Flowers

Hoje venho falar de um fenômeno que tem provocado adrenalina em mim: A chuva!
Sempre gostei muito da chuva, quando criança, adorava o banho natural que ela me proporcionava. Chuva de Primavera, chuva de verão, as águas de março sempre me fazendo dançar e cantar.
Na adolescência meu relacionamento com a senhora chuva mudou um pouco, principalmente depois do dia em que fui carregada pela enxurrada ladeira abaixo, a partir daí a chuva, que antes me causava alegrias, começou a causar medo. Quando começava a cair, logo se formava em minha mente a imagem da enxurrada me carregando.
Além desse fato inesquecível, a chuva já esteve presente em muitos momentos da minha vida: a chuva já alagou minha casa, já molhou minha cama, já furou o telhado e deixou a casa lotada de goteiras. A chuva já me prendeu em casa, já me deixou na rua (sem transporte pra voltar pra casa), já molhou a horta da minha mãe e fez os legumes e verduras prosperarem...
A chuva já alagou os galinheiros da minha mãe e matou os pintinhos recém-nascidos, a chuva já levou impurezas e trouxe a esperança para dias há muito secos. A chuva já molhou meu cabelo recém escovado, revelando os cachos rebeldes que eu tentava esquecer... Já molhou meu sapato, minha meia, meus cadernos e livros... 
Não estou culpando a chuva pelo meu constante estado de ensopada. Afinal, se eu estava na chuva, era pra me molhar. Não tenho pavor ou raiva da chuva, mas a respeito, porque não dá pra brincar com sua força. 
Comparo a força da chuva com a força do mar. É bela, é encantadora, mas de mansinho te joga na enxurrada.
Imagem da internet


Nos últimos dez meses minha relação com a chuva mudou um pouco. Tirei minha habilitação A e B ano passado e desde então sou uma motociclista ativa. Uso a moto para ir de uma escola para a outra. Quem é motociclista sabe quão difícil é andar na chuva.
Nesses dez meses como motociclista já caí três vezes na chuva com a moto, mas não desisto, é uma adrenalina a mais todos os dias que preciso sair de moto e vejo a chuva caindo. 
Vejo a chuva, fico tensa, vou pilotando e pedindo pelo amor de Deus pra moto não escorregar, pra eu não cair e muito menos precisar frear de forma brusca.





21 novembro, 2012

Flores para Flowers!

Ontem estava saindo com o namorado da casa de um amigo dele, quando passei pelo canteiro de margaridas mais bonito dessa Primavera! Meu olho logo grudou nas flores e começou a sorrir. 
Não teve jeito! O olho forçou a boca a pedir para a dona da casa, uma amostra daquela alegria toda de canteiro de margaridas!
- A senhora me dá uma flor dessa?
Ela disse que sim. Os olhos brilharam de alegria! Margaridas são as flores que mais gostam de contemplar. Além de serem lindas, simples, singelas, são colírio, enfeitam a casa e convidam o sol pra brincar de entardecer na minha cozinha!! 
Ah, margaridas, se eu fosse flor, seria da sua família! 
Voltamos caminhando pra casa, final de feriado, a noite estava uma delícia. E eu segurando as margaridas, imperiosa, toda feliz por ter recebido não só uma, mas várias margaridas da Dona Maria! Que linda, tão generosa!
 Cheguei em casa, coloquei-as num copão da Coca Cola, não tinha vaso, foi no copo mesmo!
Ficaram lindas! Decidi que ficariam morando no copo da Coca Cola em cima do fogão. Elas adoraram o cantinho, pois logo à tarde tomaram um banho de sol, que fez com que ficassem ainda mais charmosas.


A convite das margaridas, o sol brinca de entardecer na minha cozinha


Adorei ganhar essas margaridas, que alegraram a semana e deixaram a casa mais bonita. Que as violetas não me ouçam/leiam, mas as margaridas são as melhores!

04 julho, 2012

Ah, Manoel...

Manoel de Barros tem o dom de escrever livros que emocionam essa pessoa que aqui escreve. Acabei de ler "O fazedor de Amanhecer". Um livro fofo, bonito e delicioso de ler. A sensação que os poemas causam em mim, são ímpares. É como se um colírio limpasse meus olhos e eu passasse a enxergar as coisas mais simples da vida. Os detalhes e sons que passam imperceptíveis no dia-a-dia: o barulhinho do silêncio, a formiga que incansável segue seu caminho trabalhando, os galhos secos da árvore largados no chão, o grãozinho da areia que passa imperceptível aos nossos olhos.
O livro foi indicado por um aluninho da quinta série no início do semestre, só tive tempo de lê-lo agora. O livro traz poemas de Manoel de Barros e ilustrações de Ziraldo. Como era de se imaginar, fiquei encantada, com olhos banhados em ternura poética. Manoel Brinca com as palavras e consegue causar em mim a simples emoção que é a poesia: colírio pros meus olhos!



Quem quiser enfeitar de poesia uns vinte minutos do dia, leia "O fazedor de Amanhecer".

01 junho, 2012

É corrente, é?

É incrível a quantidade de papéis que jogam na minha caixinha de correios. É folheto de Pizzaria, de Gás, propaganda de Supermercados, lojas de materiais de construção, desentupidor, cartas oferecendo cursos exclusivos para a minha pessoa (sem nome - hahaha), Jornais daquela igreja que gosta de notícias super sensacionalistas (que gosta inclusive que gosta de ser manchete),  ímãs de geladeira e até as contas costumeiras.
Todos os dias tenho que recolher esses papéis indesejados, descartá-los, pegar o que interessa e deixar a caixa livre para o dia seguinte. Tenho mania de olhar a caixinha de Correios, porque adoro receber cartas, apesar de não recebê-las com grande frequência em minha residência, a última recebida foi da querida Jaque R., que por sinal não respondi até hoje.

Saindo para trabalhar hoje pela manhã, encontrei no chão um papel escrito à caneta com letra de forma. Assustada, fui logo ver o que era, imaginando ser uma carta doida de algum pedinte, ou até mesmo alguma atividade de algum aluno vizinho (nunca se sabe até onde vai o desespero deles por nota).
Quando peguei o papel, já comecei a rir, era uma tentativa de corrente, algum tipo de promessa sendo paga. Não gosto de correntes, nunca fiz e sempre que me deparo com uma, quebro.
Olhei o papel e ao constatar que era uma corrente, pensei em deixá-lo no chão, mas o olho bateu logo no título, comecei a rir, não teve jeito, peguei para compartilhar.Não pelo fato de ser uma corrente, mas pelo excesso de desvios ortográficos (erros, hehe), trata-se de uma pérola. A melhor do ano até agora.

Imagino a boa intenção ou a gratidão da pessoa que teve o trabalho de "copiar dez cópia" para entregar na rua essa humilde oração. Imagino também que essa pessoa nunca leu a oração "Pai Nosso" em lugar algum, a oralidade atropelou a escrita! Nenhum preconceito linguístico da minha parte, mas pelo Amor do Pai Nosso, não vamos assassinar a língua assim, ainda mais usando o nome do Pai.
Achei que fosse para fritar o papel, ou algo do tipo, mesmo assim não ia conseguir, estava de saída e achei que o papel daquele jeito já estava no ponto da gargalhada. 
Lamento pelo Sr. Correntista, tive que quebrar a corrente, escaneei, não vou copiar dez cópias, dá muito trabalho escrever esse idioma... Ainda bem que não tinha nenhuma das famosas maldições.  Ri demais.



15 março, 2012

Inspiração Lygiana: A guarda-chuva azul-clarinho

Do último mês para cá, estou sendo beneficiada por uma overdose do livro "A Bolsa Amarela" da minha querida Lygia Bojunga (estou lendo o livro para as minhas cinco salas do Ensino Fundamental). Quem passa por aqui, sabe que sou fã apaixonada dessa escritora desde 2009. Hoje lá na reunião pedagógica na escola da Prefeitura, fiquei com os olhos banhados em lágrimas falando com uma colega sobre a minha paixão pela Lygia, não me acostumei ainda com esse sentimento, mas é assim sempre que falo da Lygia e de todo meu encantamento por ela, acho que entro em transe, fico hipnotizada, revivo toda a emoção sentida desde a minha descoberta, até minha busca constante por seus livros.
Depois da conversa com a Simone, a emoção continuou ali, me cutucando, pedindo pra virar palavra, suplicando de tudo de era jeito para virar logo história. Me peguei em diversos momentos do dia imaginando a história dos objetos que carregava, da minha agenda, até a minha sombrinha roxa. Já noite, no último dia de curso CFC, perdida nos detalhes da sombrinha da colega ao lado, escrevi a história da guarda-chuva azul-clarinho. Inspirada, é claro! na história da guarda-chuva da Raquel do livro "A Bolsa Amarela".

***                     ***                   ***                  ***                 ***

A Guarda-Chuva de cabo azul clarinho
Por: Jaqueline Flores 
Essa é a história de um guarda-chuva que antes de sair da fábrica, quando ainda estava sendo feita, não sabia muito bem o que se tornaria, se um guarda-chuva forte e robusto (desses pretos, enormes, que são ótimos pra ameaçar os olhos dos pedestres em dias de chuva), ou uma sombrinha delicada, daquelas que enfeitam bolsa de mulher e deixam o dia muito mais colorido, seja noite, dia chuvoso ou dia de sol.
Celeste trabalhava lá na fábrica que fez a guarda-chuva, estava dando acabamento em uma grande remessa (colocando o tecido - deixando a peça com cara de homem ou de mulher), quando topou com um guarda-chuva de cabo azul-clarinho. Celeste adorava olhar o céu durante os dias ensolarados, ela achava que o céu azul era a coisa mais bonita de se olhar, quando saía na rua nos dias ensolarados, ficava ainda mais alegre e sonhadora.
Celeste achava que em dias de chuva, o mundo ficava com ar triste, as pessoas só carregavam guarda-chuva homem, todo preto, deixando o dia ainda mais cinzento. Pensando em tudo isso, com o guarda-chuva  (ainda sem tecido) de cabo azulzinho nas mãos, ela decidiu que aquele seria um guarda-chuva mulher, colocou nele uma seda branca, toda salpicada de estrelas azuis, verdes e amarelinhas...Dessa forma, a guarda-chuva deixaria o dia mais colorido, quem a visse, lembraria logo de um lindo dia de sol.
A Guarda-chuva saiu da fábrica toda satisfeita, tinha gostado de vir ao mundo com essas cores tão vivas e com a função de enfeitar o mundo. Foi morar provisoriamente em uma barraca de um vendedor muito animado, numa rua bem movimentada, onde as pessoas só gostavam de guarda-chuva homem, a guarda-chuva não via muito sentido nisso, mas esperou paciente até o dia em que teria uma função além de enfeitar o mundo na barraca do Sr. Animado.
A existência da Guarda-Chuva ganhou sentido e mais alegria, quando Josefa, que gosta de tudo alegre e chamando bastante atenção, comprou a Guarda-Chuva do Sr. Animado e saiu feliz da vida, cantando na chuva, toda orgulhosa por ser dona de uma sombrinha tão companheira e tão charmosa...
Quando saía à rua, a Guarda-Chuva de nome JAHO Umbrella, sentia-se a guarda-chuva mais feliz do mundo, pois sabia que sob a cabeça da Josefa, tornava-se um pedacinho do céu, que a Celeste gostava tanto.
 
Depois que escrevi a história e dei pra Josefa ler, nasceu o momento para registro da JAHO, a guarda-chuva saiu do anonimato no curso de CFC, tudo isso por causa do livro "A Bolsa Amarela". 

15 fevereiro, 2012

Abraço de Professora


Hoje pela manhã, entrei na sala e ouvi de uma aluna:

"Professora, posso te dar um abraço?"
Eu disse que podia...
Ela me abraçou tão gostoso...
um abraço tão bonito e carinhoso...
A sala não entendeu nada,
mas aquele abraço fez minha alegria triplicar.

Quando eu digo que sou professora,
muita gente me olha com ar de pena...
O que é isso minha gente?
Tô feliz, ganho para receber abraços
 e contagiar com os vírus da Leitura e Alegria!

Se tem uma coisa boa
É abraço sincero de criança!
Abraço: é quando as almas conversam!

24 novembro, 2011

Até onde o bom atendimento agrada?

Hoje fui almoçar em uma padaria aqui perto de casa que começou a servir almoço essa semana, a atendente estava tão empolgada, mas tão empolgada e empenhada em atender bem e agradar a todos, que até foi chata.
Tive que ouvir tanta barbaridade, começando por "a gente temos", "a senhora vai estar pedindo" até um comentário super empolgado: "A gente temos que brincar e rir um pouco pra recontrair"...

Gostei da comida, mas só volto lá daqui uns três meses, quando a moça tiver relaxado no atendimento! Tá doido!

Saí de lá com indigestão!

Sem bem atendido é bom, mas se exagerar, estraga!

16 maio, 2011

Pequenos objetos perdidos

Estava caminhando de volta pra casa semana passada, quando vi um adolescente com uma mochila nas costas, possivelmente voltando da escola, assim como eu. Observei que na mochila dele havia um mini-patins pendurado. No mesmo instante me lembrei que eu tive um daquele, isso há quase dez anos.
Na época que comprei o patins, eu ainda morava em Teixeira de Freitas, BA. Meu sonho consumista de criança sempre foi ter um patins, infelizmente não pude ganhar um, muito menos comprar. E para realizar o sonho de menina, um dia comprei um par de patins em miniatura. Ficava com eles nos dedos pra cima e pra baixo. Como se estivesse realmente patinando, sentia-me a pessoa mais realizada do mundo.
Na época de mudar de lá para São Paulo, tive que me despedir de uma grande amiga, a Charlene. Nós éramos como unha e cutícula, andávamos sempre juntas e nos divertíamos muito. Fiquei pensando no que daria à ela quando fosse embora. Nós havíamos feito um rede de crochê, eu havia escrito toda uma agenda para ela, que havia bordado uma toalha com meu nome (tenho essa toalha até hoje). Dentre essas coisas, senti vontade de separar o meu par de patins. Fizemos um pacto, o pacto do patins. Eu ficaria com um pé e ela com o outro, toda vez que sentíssemos saudade uma da outra, pegaríamos o pé do patins para brincar. Ela sabia que aquele brinquedo era muito especial para mim.
Esse pé de patins me acompanhou durante muito tempo, sempre lembrando da Charlene, relendo suas cartas e brincando com o pé do patins. Foram muitos anos, dentro desses dez, que carreguei esse patins. Quando falava com a Cha, sempre perguntava se ela ainda o tinha. O tempo foi passando, fomos perdendo contato, minha amiga casou, eu fui morar em Atibaia, depois voltei para Diadema, mudei diversas vezes de casa, e nessa via sacra, não sei mais onde foi parar o meu pé de patins.
Essa lembrança me fez pensar em como o tempo faz a gente se distanciar das pessoas, por mais que as amamos, a saga diária faz com que a gente deixe de pensar nessas pessoas, vai deixando de lado, vai deixando de dar atenção e quando vai ver, já se distanciou. Não queria ter me distanciado assim dessa amiga, assim como não queria ter me distanciado de tantas pessoas especiais que já passaram pela minha vida.
Esse pé de patins denunciou o meu distanciamento das coisas queridas, não estou cuidando direito dos velhos amigos. Se eu tivesse cuidado bem dessa amizade, talvez ainda saberia do paradeiro desse pé de patins.
Será que o pé que ficou lá na Bahia ainda existe? Será que é guardado com carinho? Será que ela lembra do pacto? E a rede? Será que ela lembra que construímos juntas aquela rede de barbante na escola e em sua casa? Não sei a resposta para essas perguntas. Tentarei identificar onde deixei o meu pé de patins e depois procurarei a Charlene para saber se lembra dessa nossa façanha. Ainda bem que não a perdi das redes sociais.

Depois que meu pensamento deixou o pé de patins de lado, comecei a pensar em todos os meus objetos um dia perdidos, já perdi tanta coisa, que não saberia onde começar a procura.
Xuxinhas, canetas, manuscritos e as pequenas coisas que vou perdendo, e que só me dou conta quando não sei mais por onde começar a procura...

26 março, 2011

Emoções e descobertas em Rodas de Conversa

Há quase três meses lecionando no CEU Vila Rubi já vivi muitas emoções com minhas três turmas de sexto ano. E com esse mix de emoções afirmo: a leitura mexe com a emoção das pessoas, a leitura transforma, há coisas que um livro pode fazer na vida de uma pessoa que não sou capaz de descrever aqui.
Tenho como método solicitar leituras aos alunos e um diário de leitura registrando o envolvimento deles com o livro, peço que escrevam nesse diário como foi o encontro deles com o livro, o que o levou a lê-lo, os sentimentos despertados, o que conseguiram aprender. O registro do diário de leitura vai além do resumo sobre o enredo do livro. Meu aluno tem que produzir teu pensamento no diário, o que leva essa tarefa a ser carregada de emoção e envolvimento do aluno com o livro.
Na primeira semana de aula expliquei-lhes que leriam livros e escreveriam sobre essas leituras no diário de leitura, e como sou uma doida por livros, fui deixando bem claro para eles que essa seria uma tarefa de dentro, uma conversa do leitor com o livro. Fui deixando bem claro para eles também que sou uma pessoa que lê e gosta muito do que faz. Acho que perceberam isso e foram contagiados, porque no dia marcado para a entrega do diário e da nossa Roda de Conversa sobre as leituras feitas, me surpreendi tanto, que a emoção é difícil de descrever.

A nossa tímida Roda de Conversa sobre as leituras depois virou festa
 Meus alunos possuem um repertório literário que achei lindo e digno de condecorações. As leituras foram desde Chapeuzinho Vermelho a Marley e Eu. O melhor ainda é que cada um contou seu envolvimento com o livro, leram livros que ganham da Prefeitura para comporem suas bibliotecas, leram livros emprestados pela Biblioteca do CEU e pela Sala de Leitura, leram livros que tinham em casa, livros que pediram para os pais comprarem. Poucos do sexto ano ficaram sem ler, até quem chegou por último na turma (matrícula suplementar) queria ler e falar sobre um livro.
Essa experiência de falar para o outro, de ser ouvido, de falar de algo que viveu, de uma descoberta, deixou-os a princípio, aflitos, mas depois todos se soltaram, teve gente que não queria mais parar de falar. Na roda de leitura tive reencontros com muitos livros que li na minha adolescência, foi um reencontro maravilhoso, meus livros prediletos estavam lá nas mãos deles, e comecei a me sentir parte daquela história que eles estavam contando. O meu pé de Laranja Lima, O Pequeno Príncipe, Beleza Negra, livros da coleção Salve-se quem puder e muitos outros que li e gosto estavam ali na roda de conversa. Para mim, aquela roda foi só risos, emoções e descobertas.
Sim, aprendi muito com meus alunos, trouxeram-me sugestões de livros que pretendo ler com certeza. Já comecei ontem com o livro da Clarice Lispector sugerido por alguns alunos A vida íntima de Laura, li e gostei muito. Nessa roda de leitura descobri que ainda tenho muito o que ler.
Não lembrava que a Clarice escrevia para crianças. Ótimo livro para falar do tema diversidade
É tão bom quando a gente fala a mesma língua, e é tão bom quando acontece essa troca com uma turma, melhor ainda quando a troca e com três, quatro turmas. Estou muito feliz com esse presente: alunos apaixonados por livros. Causadores de emoções e descobertas. Já vi que o ano promete. Quero fazer nosso próximo encontro lá na Biblioteca do CEU.

16 março, 2011

Inspiração

Ontem escrevi que minha inspiração havia desaparecido, preocupada, produzi o mais solitário dos monólogos tentando encontrar uma solução pra essa falta de assunto.
A caminho do trabalho, na Avenida Interlagos, em uma das super-lotações de São Paulo, observava a cidade e o que ia ficando para trás à medida que a lotação avançava. Deparei-me com uma cena emocionante e ao mesmo tempo curiosa: acima de um prédio, bem ali no meio do caos e trânsito do meio dia estava acontecendo uma manifestação de passarinhos.
Na hora estalei os olhos e vidrei naquela cena. Eram mais de cem pássaros formando uma cena ímpar, o que posso descrever como revoada. Todos eles voavam acima daquele prédio (não havia árvores por perto), em pequenos círculos, indo para lá e para cá, como se estivessem fazendo uma revolução ou protestando por alguma causa.
Fiquei curiosa, desejei parar, desejei ter a câmera nas mãos para registrar o momento. mas não foi possível, apenas meus olhos testemunharam aquela cena, que logo trouxeram minha inspiração de volta. Penso que aqueles pássaros queriam ser vistos, talvez protestassem por uma árvore, por um lar verde e digno, talvez protestassem por uma flor. Talvez protestassem para que eu voltasse a escrever.
Aqueles pássaros mostraram-me que minha inspiração não havia partido, simplesmente falta disciplina e tempo para registrar esses pequenos momentos do meu dia.
Em pouco mais de dois meses fazendo esse caminho para o CEU Vila Rubi, meus olhos já testemunharam tantos eventos que não caberiam nessa postagem.
A inspiração não foge, a gente é que não está preparado para registrar as inspirações diárias, principalmente aquelas proporcionadas pela natureza. Uma coisa é certa: minha câmera precisa sair de casa. Ainda bem que me restaram as palavras.

28 fevereiro, 2011

Influenciável, Eu?

No último mês tenho ouvido algumas pessoas dizerem que sou uma pessoa influenciável. Fiquei um pouco confusa até entender o que significava aquela acusação. Sim, essa definição soou em meus ouvidos como uma acusação. Não me sinto uma pessoa inflûenciável, que vai pela cabeça dos outros. Pelo contrário, sempre tive opinião formada sobre as coisas que desejo, que gosto e sobre quem sou.
Não me influencio nem pelo clima. Lembro que sou do contra com o tempo. Se faz sol, coloco roupa quente, se faz frio nunca levo a blusa. Se chove então, me molho toda, porque odeio carregar guarda-chuva.
Não gosto de andar na moda, seguir as tendências ditadas na TV ou assistir aos programas que empurram na gente no horário "pobre". Prefiro mil vezes desligar a TV e ler um livro, isso ninguém me influenciou a fazer, vem de mim, se outras pessoas fazem isso, é mera coincidência.
Minhas amizades são por afinidade, não por interesse. O que tenho ou o que faço é por necessidade ou desejo próprio. Ninguém cola desejos em mim.
Todo esse burburinho começou porque agora trabalho em duas escolas e estou muito dependente dos ônibus para me deslocar de uma escola à outra. leva um tempo que deixaria algumas pessoas estressadas. Não fico. As pessoas ficam por mim. Enquanto viajo de ônibus, sobra tempo para ler mais e tirar uns cochilos, quando dá para sentar.
Semana passada, havia acabado de chegar em uma das escolas e os colegas começaram a perguntar: "Agora vai comprar uma moto, não é Jaque?". Todo mundo sabe que sou louca por moto, mas tenho medo de tomar a decisão de adquirir uma, por medo de acidente, assalto e todos os acontecimentos que a gente sabe que giram em torno de uma moto.
Enquanto todos falavam para eu comprar a moto, entrou na sala o coordenador e disse: "Olha, gente, você não ficam dando esses conselhos pra Jaqueline, não, porque ela tem a cabeça fraca, ela compra mesmo!"
Não acreditei, foi uma gargalhada geral. todos rindo da forma como ele disse e da forma como reagi.
Contei o fato a outra pessoa, que confirmou que sou influenciável.
Continuo discordando. Se dissessem que sou teimosa, teria assinado embaixo. Agora "maria-vai-com-as-outras"? Isso não.
Vou teimar em andar de ônibus por dois anos, minha meta é essa. Depois penso em outro meio de transporte.

13 fevereiro, 2011

Vizinhos: anjos ou demônios?

Para cada pessoa uma palavra tem um significado. Amor para algumas pessoas pode denotar o bem, a felicidade, boas lembranças; para outras pessoas significa decepção, ódio, tristeza, sofrimento. Tudo vai depender da experiência.

Há trinta e dois meses, quando resolvi morar sozinha, procurei desesperadamente por uma casa em um local sossegado, de preferência com entrada independente e sem vizinhos no quintal. Encontrei uma casa ajeitadinha, bem localizada, com valor do aluguel que cabia certinho no meu bolso. Mas, eu não estaria sozinha, teria de dividir o quintal com outra família ou pessoa que fosse morar na outra casa. Sem pensar muito, pois não haviam muitas opções de casa na redondeza. Mudei em Junho de 2008 e uma semana depois a família com três pessoas chegou para serem de fato meus vizinhos.

Fui logo com a cara deles, sossegados, tranquilos e com uma filha de dez anos, doidinha como eu. Logo ficamos amigas e era como se ela fosse a minha irmãzinha mais nova. Andressa não acreditava no início que eu era professora, só depois de me ver corrigindo textos madrugadas inteiras é que teve certeza do meu ofício. Ela passou a me fazer companhia em muitos momentos. Ouvia com interesse minhas histórias e experiências vividas na escola e acompanhou inteiramente o meu sofrimento de apaixonada.

Ficávamos acordadas até muito tarde, fazíamos vitaminas, sucos de maracujá com leite, temendo o barulho do liquidificador para não incomodar os outros vizinhos... Acompanhava-me nas caras e bocas também diante do barulho da impressora que trabalhava sem parar depois das 23h.

Brincávamos de tomar chá da tarde, de dançar, pular e cantar, tiramos fotos, fizemos as unhas, escovamos os cabelos, andamos de bicicleta, tivemos crise de riso e assistimos novelas, filmes e vídeos no youtube.

Minha amiguinha me acompanhou em muitas aventuras. Fomos ao Ibirapuera ver "O Pequeno Príncipe na Oca", recusamos amedrontadas às caronas oferecidas ao final da tarde. Fomos à Praia, ao Playcenter, Festa Junina e muitos outros lugares.

Seus pais, pessoas generosas, sinceras e prestativas. Sempre ali ao lado para o que precisasse. O engraçado dessa relação de vizinhos é que aconteceu como eu imaginava. Nenhum invadiu o espaço do outro e rapidinho chegamos aos trinta e dois meses de convivência. Não éramos daqueles vizinhos pegajosos, que ficam o dia todo um enfiado na casa do outro. Nos falávamos e nos ajudávamos sem precisar de um invadir a privacidade do outro.

Andressa, vizinha, irmã e amiga
Partilhávamos os sonhos, as vontades e as indignações com acontecimentos cotidianos. Andressa foi a primeira pessoa que abracei depois que saí do terreno onde será construído o meu apartamento. Abraçadas choramos como crianças, fiquei tocada com a sensibilidade da menina de treze anos, que acompanhou-me nesses quase três anos e sabia da intensidade do meu sonho e o quanto aquela notícia significava para mim.

Foram momentos únicos, não dividimos apenas o quintal e o tanque. Dividimos momento únicos. Infelizmente  por motivos de força maior, meus amigos e vizinhos tiveram que partir. Eu já sabia há um mês, vinha tentando não acreditar e adiava o choro cada vez mais. Hoje foi o dia da partida. Passei o dia pensando no que diria quando fosse dizer tchau. Não consegui pensar em nada, não gosto de despedidas, fico sempre muito sem graça. Foi triste. Nos abraçamos, choramos e desejamos que nossas vidas continuem com felicidade. Queria acompanhar mais de perto a nova fase da Andressa, eu disse o ano passado inteiro que ela viraria “emo”, ela ria e dizia que não. Agora não vou poder acompanhar muito de perto. Logo estará uma moça, com novas amizades e compromissos além da escola e novela. Espero de coração que ela cresça e que continue a pessoa maravilhosa que é.
Procurarei não perder contato com esses anjos que por trinta e dois meses moraram aqui ao lado de casa. Peço a Deus que envie pessoas boas para me fazerem companhia. Se fosse para escolher, eu os escolheria novamente. Vizinhos são anjos. Mas quando a gente mora de aluguel, um dia um dos anjos bate asas e vai embora.

26 janeiro, 2011

Vovô Firmino,

Ontem quando deitei para dormir, fiquei pensando no senhor. Lembrando sua alegria e forma de comunicação. Um homem astuto que lidava muito bem com as palavras. Palavras que me faziam sorrir, gargalhar, pelo simples fato de não conhecê-las. Eu o julgava ignorante, por pensar que as suas palavras eram erradas ou até mesmo inventadas. Mesmo assim, prestava muito atenção ao que dizia, só pra depois sair repetindo e zombando do seu modo firminês de falar.

Ainda lembro quando eu acordava pela manhã, pedia-lhe benção, ao que o senhor respondia: "Deus te abençoe minha fia". Lembro como o senhor acordava cedinho, mesmo aposentado, lá pelas 6h00 já estava de pé, coando o seu barulhento café.

Eu ouvia cada detalhe, e lembro como se fosse hoje. Primeiro o senhor levantava, lavava o rosto, ia ao quartinho, fazia suas necessidades e higiene matinais. Depois colocava o bule com água para esquentar no fogo. Ouvia atentamente as batidas da colher, colocando açúcar e adoçando a água, e o barulho do sopro esfriando a colherada de café sendo experimentada. Depois aquele cheirinho de café incendiava a casa.

O senhor ia para a calçada e dava "Bom Dia" a todos os compadres e comadres que passavam pela rua. Era nesse momento que eu ouvia o "passou..." bem baixinho. Cheguei a pensar durante toda a minha infância que o senhor estava contando cada um que passava, e na medida em que iam passando o senhor resmungava que aquele compadre já havia passado, numa espécie de conferência. Só pouco tempo atrás que me dei conta de que aquele passou podia representar uma pergunta: “Como passou?”.
Tinha dia que eu me demorava a levantar da cama só pra ouvir o senhor gritar lá do quintal: “Jaquélinooo, levanta!!! Vem passar manteiga no bico das galinha”. Gostava daquilo, mas nunca soube o significado. Também gostava de ouvir as histórias que contava sobre Romãozinho, um menino negrinho malcriado, que muito lembra o saci. O senhor dizia que quando trabalhava “lá fora” topava muito com ele pelas estradas. Apesar de ter medo do Romãozinho, gostava de ouvir as histórias, prometia sempre a mim, que jamais seria malcriada com minha mãe como o Romãozinho fora com a dele. E quando eu pensava em fazer qualquer má criação, o senhor me chamava pra ver a menina que tinha feito má criação com a mãe e me mostrava o espelho.
Quando o senhor ficava bravo, eu ficava só de longe espiando, com medo de sobrar pra mim. Não gostava de ficar “atiquizando” seu juízo. Era assim mesmo que o senhor falava: “Tu vai, me atiquizando, vai me atiquizando, quando eu estourar o juízo, tu vai ver só...”.
As poucas vezes que o vi sério, eram quando alguém o atiquizava, teimando, insistindo em alguma coisa, ou quando o senhor deixava o “texto” cair da panela, o senhor gritava “Pirla” bem alto. Desse xingamento eu ria mais ainda, mas só descobri o significado essa semana. O senhor xingava em italiano. Descobri essa semana que “pirla” quer dizer idiota, estúpido. Dependendo do contexto pode até fazer referência ao órgão sexual masculino.
Devo confessar que o senhor era mesmo hábil com as palavras. Pena que eu não tinha maturidade para aprender mais com o senhor. O que era estranho para mim, era uma verdadeira variação linguística. Se fosse fazer um levantamento do seu vocabulário hoje, daria para fazer um dicionário firminês.
O senhor calçava as “precatas”, ia no “Vadim” fazer a feira e voltava contente com sacolas e o jogo do bicho feito.
O que mais ficou em minha memória, das tantas lembranças, foi o dia em que eu, sentada na calçada de casa, estava estudando sobre a cultura dos povos Incas, Astecas e Maias. O senhor que não sabia ler, aproximou-se e começou a ver as imagens. Eu li todo o texto didático enquanto o senhor ficou de pé, com uma mão no queixo, dizendo: “Hum, Hum, tô cumpriendeno”. No outro dia, o senhor discursou orgulhoso na calçada para alguns compadres: “Jaquéliiino, já tá no terceiro grau. Essa menina pega uns livros do colégio e dá definição em tudo, tudo, tudo...”.
Fico pensando, sabe Vovô, naquela época eu tinha 11 anos e estava na sexta série. Hoje, aos 23, sou uma professora buscando realizar meus sonhos de menina. Lembro com tanto carinho e alegria do senhor, que sinto que não partiste. Que ainda está lá em Montanha, contando seus causos na calçada. Fico imaginando o que diria de mim...
Lembro do meu vovô com muito carinho, e agradeço a Deus pelo tempo que passamos juntos. Tenho memórias que nenhum dinheiro paga. Meu avô era um sábio com as palavras e com as histórias. Uma fonte inesgotável de cultura popular. Difícil aprender o que aprendi com ele nos livros já publicados.

Vovô Firmino, as rodas de conversa devem ter ficado mais animadas onde ele está agora

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Vocabulário Firminês:

Lá fora: roças, fazendas, outros Estados onde viveu.
Atiquizar: Instigar, incitar, aborrecer.
Texto: tampa da panela
Pirla: idiota, estúpido
Precata: Alpercata – calçado de couro, chinelo, mais conhecida como papete.



Outra postagem com Vovô Firmino

11 outubro, 2010

Politicamente Correto?



03 de outubro. 7h00. Diadema.
Essa era a rua da escola onde fui mesária. Era a mais limpinha da cidade. Esses papéis eram poucos perto do que meus olhos conseguiram ver no caminho.
Pior ainda era a rua da minha seção eleitoral. Me senti pisando em ovos, só que em vez de ovos, pisava em papéis molhados pela chuva.
Horrível caminhar assim. Não tive tempo de testemunhar nenhuma queda, mas tenho certeza que muita gente deve ter caído naquela lama de "santinhos".
Não consigo entender o desespero desses políticos em despejar tantos papéis na rua. Devem sentir prazer em ver os eleitores pisando em suas caras.
Não é correto fazer boca de urna no dia da eleição, isso todo mundo sabe. Todo mundo também sabe que passam dias antes da eleição enchendo nossas caixinhas de correio e nossos quintais com papéis divulgando números, legendas partidárias e propostas.
Tem gente que não dá a mínima pra essa papelada toda. Retira da caixinha e manda direto para a lixeira.
Depois chega na seção eleitoral para votar e não sabe pra quem dar o seu voto.

É aí que entra a lama de papel da foto acima. O cara em desespero, em busca de um representante para seu país (nesse caso, precisa de seis números), para em meio aos papéis, fecha os olhos, abaixa-se e pega um santinho. Pronto. Ali está o seu voto, super seguro e secreto, super pensado e politicamente correto. (Esse votou literalmente no escuro, e além de tudo teve a sua maior queda).

Tenho certeza que muita gente pega papel da lama para votar no último minuto. Ouvi isso de um eleitor na hora de votar. Se ninguém pegasse, não haveria esse exagero de lixo pra gente pisar.
Nunca peguei papel do chão pra votar. Tento observar a campanha eleitoral durante o processo e até aceito sugestões de amigos sobre deputados estaduais e federais. Mas o restante eu decido. Sigo minhas convicções. Faço minha própria colinha e levo no bolso.
Esses papéis jogados na rua não descem na minha garganta. Não descem.

17 setembro, 2010

Os Ipês-Amarelos já floresceram

Foi com essa imagem que comecei o meu dia de trabalho na sexta-feira passada. Um belo pé de Ipê-Amarelo na porta da escola onde trabalho. Não resisti e tirei a câmera da bolsa para registrar essa imagem tão bela, como tenho feito quando vejo o sol, como quando vejo a lua.
Tenho dito que setembro despertou em mim um olhar sensível para o belo da natureza, sensibilidade essa que tem me deixado muito contente. Coincidências ou não, esses momentos de sensibilidade sempre acontecem quando estou ao lado de pessoas especiais, pessoas que partilham do mesmo olhar que eu, despertadas pelo encanto natural das coisas simples da vida.
No momento dessa foto, a Raquel estava ao meu lado também se encantou com a imagem do Ipê. Incrível como não tinha reparado nele ali antes, todo amarelo, combinando com a pintura do muro, enfeitando o céu azul, tornando o dia ainda mais belo.
Já havia reparado como os Ipês-amarelos combinados com as folhas verdes lembravam a cor da nossa bandeira, enfeitando as ruas por onde passava. Mas não sabia nada mais além de admirá-los...
Com esse interesse repentino, descobri que os Ipês só florescem uma vez ao ano, final de Inverno, anunciando a chegada da Primavera. Enchem os olhos das pessoas de esperança, de encanto, de alegria, rendem fotos, poemas, crônicas e conversas como as que tenho com a Raquel, com a Nilza, Helio e Sr. Matias.
O final de semana passou, e na segunda-feira o Ipê ainda estava lá, todo florido, todo poético. Chamei as pessoas mais sensíveis que haviam por perto pra tirarem uma foto com o Ipê. Foi uma explosão de sorrisos e encanto.
No fim do dia, antes de voltar pra casa, passei pelo Ipê. Muitas das suas flores já estavam ao chão. Um verdadeiro tapete de flores amarelinhas, que lembravam mais um tapete estampado de ouro. Não resisti e sentei no meio delas, uma colega registrou o momento, vou guardar com carinho a imagem daquelas flores que pareceram parte de mim.
Hoje o Ipê ainda foi assunto lá na escola, estava arrumando um painel (forrado com jornal) para a Conferência do Meio Ambiente 2010, quando meus olhos bateram na foto de um Ipê-Amarelo e uma crônica de Rubem Alves. Foi um empurra-empurra só entre eu e a Nilza pra devorar as palavras perdidas ali perto do cronograma. Não sabia que Rubem Alves adorava Ipês-Amarelos.  Isso só confirma que essa beleza dessa árvore toca pessoas sensíveis, pessoas especiais.
Compartilho a crônica aqui para quem quiser apreciar. Rubem Alves fotografa com as palavras, e eu sigo com minha câmera onde encontrar um Ipê.

13 setembro, 2010

Desesperate to write

Hoje cheguei com muitas ideias e coragem para escrever.
Mas o sono me consome, os olhos pesam
e simplesmente vou dormir...
Tomara que a inspiração pinte por aqui amanhã também.

11 setembro, 2010

Acordei e já era setembro

É isso, acordei, olhei pela janela e vi que já era setembro. Vi também que não dava mais pra mudar o Agosto que foi, e nem dá pra ficar querendo fazer tudo como foi lá.
No final de Agosto fiz escolhas certas, demonstrei o que quis nos momentos que bem mereceram. Não me arrependo de nada. Abri os olhos para o Pôr do sol. E descobri que cada espetáculo desses merece um clique. Comecei no dia 28/8 e para minha surpresa até hoje só consegui registrar dois desses momentos diários.
Foi aí que percebi o quanto fico presa em caixas, em salas, em mim. Percebi o quanto tenho sido egoísta em não olhar o sol e contemplar a beleza que aí temos, de forma gratuita temos esse espetáculo diariamente, não paramos para ver, talvez pela correria, talvez pela insensibilidade.
E pensar que pagamos caro por entrada em exposições de artes, por filmes e peças teatrais, muitas vezes buscando ver uma paisagem bonita, quem sabe um pôr do sol pintado a óleo sobre tela...

Gosto muito do sol, iniciei o ano esperando-o chegar para saudá-lo com um  olhar sonhador à beira-mar... Valeu muito a pena, foi um dos momentos mais mágicos da minha vida.  



O Nascer do Sol sempre me inspirou muito, mas nunca tinha parado de fato para pensar na magnitude do Pôr. Ele se esconde aqui e aparece lá no Japão, onde haverá uma menina esperando ansiosa para ver tal espetáculo. Isso é muito mágico pra mim, sou muito leiga no assunto e não tenho ciência para ficar explicando uma existência que simplesmente acho linda.
Setembro me fez acordar para um sol que eu não conhecia, um sol que parte e deixa espaço para a lua, que vem trazendo seu encanto, rodeada pelo brilho das estrelas...
Coisa bela que é a natureza. Enquanto meus olhos continuarem sensíveis à esse fenômeno, registrarei com minha lente e me tornarei  "A colecionadora de Pôr-do-Sol".
Minhas duas primeiras figurinhas estão coladas abaixo, cada uma com sua história.


28/08/2010: 17h30min. Chegada na Arena Anhembi para o Show da Nova Brasil FM. Soprava um ventinho frio, anunciando que o Sol iria e a Lua não apareceria naquela noite.
29/8/2010: Parada Imigrantes em Diadema. Vista do Centro, sentido Jabaquara 17h40min. A caminho do terminal Tietê para reencontrar minha amiga e irmã Lidia.

30 agosto, 2010

Inspiração...

Andei dizendo que minha inspiração pra escrever tirou umas férias, é fato. Peguei minha agenda de papel hoje e fiquei chocada com meses em branco, eu que sempre gostei de escrever e registrar tudo, deixei a agenda em branco desde Março.


Não sei explicar o que aconteceu. Mas saí meio que desesperada escrevendo nas páginas em branco tentando preencher os vazios que lá deixei. Em poucos minutos percebi que o esforço era inútil, pra que tentar preencher uma vida que já foi? Um vazio que está cheio de si e quer reinar soberano sobre as minhas ideias. Parei com o desespero e larguei a escrita de lado.
Talvez as páginas em branco me incomodem agora, por um lado acho que ele está lá por algum motivo. Se escrevo nas horas mais felizes, vai ver esses momentos não foram felizes.
Tenho um pouco de medo do que poderia estar escrito nessas páginas em branco. Tenho mania de comparar agendas e ver o que estava se passando na minha vida no ano anterior... Isso as vezes causa uma certa angústia, quando vejo que não aprendi com meus erros, ou que continuo igual, ou que poderia estar melhor que ontem.
Inconscientemente posso estar mudando, deixando esse hábito de lado. Não o hábito de escrever, mas o hábito de comparar vidas. Comparar passado e presente.
Se não vou escrever sobre esses momentos, o que escrever então?


Estou pensando, pra falar a verdade, ando inspirada com belezas da vida, logo mais elas aparecerão por aqui. Até lá, precisarei de conselhos sobre o que registrar na minha agenda de papel. Não vale colagem de papel de bala...isso eu fazia quando não tinha o que escrever.

12 julho, 2010

Eu Torcedora,

Antes de terminar a Copa, enquanto voltava para casa, me deparei com algumas bandeirinhas que traziam estampados os anos em que o Brasil levou o Título de Campeão. Vi-me parada durante um bom tempo fazendo as conta de quantos anos eu tinha em cada título e cheguei à conclusão de que não vi nada, só vi o Brasil ser campeão duas vezes: Em 1994, quando conquistou o Tetra nos EUA e em 2002 quando trouxemos o Penta da Coreia do Sul e Japão.
Essa é a sexta Copa que acontece depois nasci, não consigo lembrar nitidamente da Copa de 1990, ainda era uma criancinha de 3 anos, não sabia bem o que era torcer, o que era uma Copa do Mundo. A única lembrança que tenho dessa época é de uma boneca que eu trazia pendurada pelos cabelos o tempo todo.
Quando o Brasil conquistou o Tetra em 1994, lembro-me claramente de todos nas ruas estampadas com a figura do cão Striker gritando É Tetraaaa! Eu já tinha uma noção, caí no meio da gritaria, pulando e gritando em comemoração ao título.
Desde então, decidi que torceria apenas para a seleção, nunca tive um time do coração, como as pessoas costumam ter (São Paulo, Vasco, Flamengo, Corinthians), sempre torci para o que ganhava, para todos, com exceção de uma época (95) em que inventei de torcer pelo Vasco (para quem não sabe, sou capixaba), porque era o time do coração do menino que era a minha paixão. Quando a paixonite passou, deixei o Vasco pra lá.
Torci em 98, mas tive que ver a França levando a melhor. 
Em 2002, morando na Bahia, acordava de madrugada para ver os jogos, subia na laje da minha vó para regar a antena e acordar os vizinhos para assistirmos aos jogos. Como trabalho para a Escola fiz com minha amiga Charlene um Álbum da Copa que levou nota Dez! O meu eu torcedora acreditou que se penteasse os cabelos durante os jogos do Brasil, levaríamos a melhor...E assim foi: comemorei o Penta com a escova de cabelo nas mãos!
Em 2006 eu já não tinha tanto tempo para me dedicar exclusivamente aos jogos, estava cursando Letras em Atibaia e trabalhando em um Salão de Cabeleireiro como manicure. Saía praticamente na hora dos jogos para assistir em Diadema na companhia das tias...era bem cansativo...Mesmo assim, acreditava que a seleção conquistaria o Hexa! Lembro que fui ver o Brasil perder em Santos...
Esse ano (2010), vi mais uma vez o Brasil voltar para casa de mãos vazias... Em compensação conheci a vuvuzela (ver jogos com moscas fazendo zum zum zum), graças a Deus não vimos o Maradona pelado e assisti três jogos do Brasil com uma torcida diferente, a torcida do twitter!
Próxima Copa Promete, será aqui no Brasil. Será que em vez de vuvuzelas teremos berrantes nos estádios? Tomara que não. Já não sei mais nada quanto ao hexa, tomara que apareçam bons jogadores daqui até lá e um treinador que coloque os rapazes com vontade de defender nosso título e não deixar que vá embora nossa chance de vencer!
Uma coisa que queria: que o saci fosse nosso mascote! Já pensou? O saci todo de verde e amarelo, que coisa mais patriota? Mas...do jeito que o povo tá amando o Dunga, pode ser que escolham os sete anões!

Com Dunga ou com saci, estarei torcendo, já que sou uma torcedora a nível nacional, terei fôlego suficiente para gritar e pular em 2014.