Eu sabia fazer poemas.
Como? Não sei.
Só sei que escrevia.
Isso quando eu era pequena.
Tinha um caderno.
Tinha lápis.
Tinha inspiração.
Eu era poetisa.
Ironia.
Fiz Letras.
Achei que fosse escrever um livro.
Publicar todas as minhas poesias,
e escrever outras melhores...
Toda a inspiração se foi.
Ficaram as orações subordinadas adverbiais.
Os adjetivos.
As locuções adjetivas.
As análises.
Mesóclises.
Poeta não estuda.
Poeta põe a palavra no papel como o apaixonado põe sentimento no beijo.
Poeta não sabe porque rimou.
Simplesmente a rima acontece.
Ele não fica ali pensando se a rima será rica ou pobre.
O poeta não está preocupado com as aliterações.
Com as metáforas.
O poeta sente sua alegria triste,
sem ao menos saber que tomou posse de um paradóxo.
Se os poetas se preocupassem com a gramática,
em vez de expressar sentimentos;
O mundo deixaria de ser colorido.
Seria chato.
Não seria poesia.
Não tenho mais poesia.
As que eu fazia quando pequena,
ficaram guardadas,
no quartinho de bagunças da minha vó, na Bahia.
Devem ter sido lançadas fora,
faz muito tempo...
11 julho, 2009
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Um comentário:
você deveria investir mais nos poemas és muito boa nisso também...
e a gramática...ele prevalecerá assim...sempre hermética, fechada...não dando espaço pra poesia...por isso penso como um grande escritor...ela terá de apanhar muito....
bjs.
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