03 de outubro. 7h00. Diadema.
Essa era a rua da escola onde fui mesária. Era a mais limpinha da cidade. Esses papéis eram poucos perto do que meus olhos conseguiram ver no caminho.
Pior ainda era a rua da minha seção eleitoral. Me senti pisando em ovos, só que em vez de ovos, pisava em papéis molhados pela chuva.
Horrível caminhar assim. Não tive tempo de testemunhar nenhuma queda, mas tenho certeza que muita gente deve ter caído naquela lama de "santinhos".
Não consigo entender o desespero desses políticos em despejar tantos papéis na rua. Devem sentir prazer em ver os eleitores pisando em suas caras.
Não é correto fazer boca de urna no dia da eleição, isso todo mundo sabe. Todo mundo também sabe que passam dias antes da eleição enchendo nossas caixinhas de correio e nossos quintais com papéis divulgando números, legendas partidárias e propostas.
Tem gente que não dá a mínima pra essa papelada toda. Retira da caixinha e manda direto para a lixeira.
Depois chega na seção eleitoral para votar e não sabe pra quem dar o seu voto.
É aí que entra a lama de papel da foto acima. O cara em desespero, em busca de um representante para seu país (nesse caso, precisa de seis números), para em meio aos papéis, fecha os olhos, abaixa-se e pega um santinho. Pronto. Ali está o seu voto, super seguro e secreto, super pensado e politicamente correto. (Esse votou literalmente no escuro, e além de tudo teve a sua maior queda).
Tenho certeza que muita gente pega papel da lama para votar no último minuto. Ouvi isso de um eleitor na hora de votar. Se ninguém pegasse, não haveria esse exagero de lixo pra gente pisar.
Nunca peguei papel do chão pra votar. Tento observar a campanha eleitoral durante o processo e até aceito sugestões de amigos sobre deputados estaduais e federais. Mas o restante eu decido. Sigo minhas convicções. Faço minha própria colinha e levo no bolso.
Esses papéis jogados na rua não descem na minha garganta. Não descem.
Um comentário:
Eu havia me esquecido de comentar isso! É vergonhoso o modo como fica a zona eleitoral depois das eleições...
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